
Duas senhoras sentadas ao meu lado conversavam sobre o livro ‘Diário de um Mago’, de Paulo Coelho, e assim fizeram durante, pelo menos, 4 das 9 horas do vôo de Nova York à São Paulo.
As duas pretendiam se lançar numa peregrinação de 800 km, saindo do sul da França até Santiago.
Na época, não conseguí entender porque alguém se prestaria a isso, caminhar 800 km, para qualquer lugar que não fosse a Disney. Mesmo as enormes filas que encontrei por lá me fizeram repensar se aquilo tudo valia a pena ou não.
Objetos, rituais, coisas que procuram estabelecem o contato do homem com o divino. Ou aquilo que está próximo de Deus.
Fiz questão de esquecer todas as rezas ensinadas no catecismo. Mantive o ‘Pai Nosso’ pois, no Brasil, até antes ou depois de pelada de futebol se reza.
No Brasil, usa-se Deus para tudo, seja para elogiar nossas riquesas naturais, ou para condenar a nossa miséria.
Desde cedo aprendi que Deus nada tem haver com isso.
Missa, igreja, só em casamentos, missas de sétimo dia ou algo do tipo.
Ví o crescimento dessas ‘novas’ religiões no Brasil, e, ainda hoje, devo dizer que tenho certa desconfiança em ‘crentes’, ‘evangélicos’, e suas variações.
Nada disso me fez perder ou preencher um pouco do enorme vazio que tenho dentro de mim.
Completando 30 anos, jovem promissor em carreira numa multinacional no Rio de Janeiro, sentia-me no topo do mundo, mas a frustação de mais um relacionamento desfeito me deixava triste.
Numa dessas viagens que a gente faz para colocar tudo para trás, encontrei uma pessoa que trouxe de volta minha curiosidade e determinação de ir à Santiago de Compostela. Num daqueles rompantes de paixão, laço-me para a Europa, numa viagem incrível, com o final em Santiago de Compostela.
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